Startups criam sistemas para monitorar o campo

A força do agronegócio brasileiro está atraindo o interesse de startups inovadoras do Brasil e até do exterior

A força do agronegócio brasileiro está atraindo o interesse de startups inovadoras do Brasil e até do exterior. A Strider lançou um sistema de monitoramento e controle de pragas que combina o uso de mapas, mobilidade, Big Data e computação na nuvem. O software identifica focos de infestação de pragas e permite que o agricultor antecipe a tomada de decisão, que pode resultar em redução de até 15% no uso de defensivos ao garantir a intervenção imediata e evitando a evolução das pragas.

A empresa recebeu um investimento de R$ 5 milhões da Barn Investimentos, e a solução já está sendo utilizada em 200 mil hectares de fazendas de 30 clientes em culturas de soja, algodão, café, cana e laranja. A meta é cobrir território de 2 milhões de hectares até o final de 2015, em todo Brasil.

“Uma fazenda de 5 mil hectares gera 10 milhões de eventos de informações georefenciadas que são coletadas em dispositivos móveis. O sistema reduz os custos com defensivos, uma vez que a identificação geolocalizada de áreas afetadas permite a aplicação no local específico e a identificação do produto a utilizar, além de comprovar sua eficácia”, diz Luiz Tangari, sócio fundador e CEO da Strider.

A Agria é uma startup franco-brasileira, fruto da associação dos brasileiros Paulo de Sá e Rodrigo Almeida Gonçalves com os franceses Pierre Deram e Abder Seridji, esse último trabalhando em Paris. Paulo e Pierre trabalharam por mais de 15 anos nas grandes trades multinacionais de commodities agrícolas. Rodrigo havia criado a Nitrix, especializada em tecnologia de otimização de fluxos em rede, aplicada a setores logísticos.

Entre as soluções da Agria, está a ferramenta de otimização de fluxo por meio de recursos de inteligência artificial. Pierre Deram explica que um produto como a soja apresenta diversas opções de escoamento da produção como a armazenagem, processamento industrial e a exportação. “São muitos pontos de armazenagem e recebimento, e opções de produção que chegam a movimentar 130 milhões de toneladas”, explica Gonçalves. “Boa parte disso ainda é controlada por Excell. O software permite identificar qual o melhor local para enviar a produção e o melhor momento para isso, a fim de reduzir custos logísticos. Como cada decisão é um ponto de receita, a ferramenta também otimiza as margens, com ganha até 10%.”

A Agria negocia uma parceria com uma empresa francesa que fornece drones equipados com sensores e softwares de interpretação das imagens captadas. A ferramenta pode ser utilizada para realizar levantamentos das condições da lavoura, prevendo eventuais quebras ou estimando produtividade. Também pode ser utilizada para identificar possíveis deficiências de nitrogênio e a incidência de algumas pragas.

A Bov Control desenvolveu uma plataforma que une os conceitos de mobilidade, internet das coisas e hospedagem na nuvem da IBM Softlayer. A solução faz levantamento e cruzamento de informações coletadas por diferentes dispositivos conectados à internet (como balanças e chips implantados sob a pele dos animais), relativas ao dia a dia da fazenda e ao desenvolvimento dos bovinos, com acesso e atualização pelos funcionários por meio de smartphones. Segundo Danilo Leão, fundador da empresa, o produtor pode identificar o peso ideal e o momento para a venda nas bolsas de mercadorias. A empresa integrou o programa Startup Brasil em 2013 e passou pela Wayra – aceleradora da Telefonica, que leva a solução para América Latina e na Europa.

O Programa Startup Brasil também atraiu ao país duas startups internacionais: a Rogue Rovers – localizada em Aschland, no Oregon, EUA – e a Algrano, instalada em Monthey e em Berna, na Suíça. A Rogue Rovers desenvolveu um quadriciclo inteligente, o FarmDogg. O veículo, que é dotado de câmeras, pode ser conduzido ou operado remotamente. “No Brasil, trabalhamos com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Em 2015, vamos visitar as fazendas para identificar as necessidades”, diz Melissa Burch Brandao, fundadora da empresa.

A Algrano, que tem entre seus fundadores Gilles Brunner, criou uma plataforma para integrar produtores a torrefadores de cafés especiais nos EUA, Japão, Europa e Austrália. A empresa participou do programa Startup Chile e, em novembro, foi selecionada pelo Startup Brasil, escolhendo a aceleradora Start You Up, do Espírito Santo.

A Pastar nasceu para amenizar danos causados pelo clima na pecuária – principalmente estiagem – por meio de uma plataforma de intermediação de aluguel de pastagens, chegando a salvar cerca de 1200 animais na Bahia. Em 2014, a empresa passou por uma expansão da sua plataforma abrangendo a comercialização de bovinos, caprinos, ovinos e equinos, tornando o produto inicial um marketplace para pecuária. A empresa também lançou um classificado web e mobile – gratuito por enquanto – e o Pastar Certificados, que certifica uma cadeia de fornecedores e garante aos interessados uma rede de consumo segura e online.

 

Carmen Nery

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil